Francesc Dominguez

Mentor de desenvolvimento profissional (marca pessoal) e consultor de marketing jurídico.


A Marca Pessoal do Advogado é a obra de sua autoria. Obra publicada pelo Grupo Almedina.

Consulte a sua obra neste link


Advogado sénior: desafios do presente e do futuro

“A capacidade de compreender as emoções alheias atinge a sua plenitude por volta dos 40 ou 50 anos e algumas pessoas alcançam o seu esplendor na terceira idade. A ‘inteligência cristalizada’, reflexo do conhecimento adquirido e da capacidade de nos relacionarmos com o nosso meio, atinge o seu máximo durante a idade madura”, segundo Joshua Hartshorne, autor principal da maior investigação sobre capacidade cognitiva em relação à idade (que avaliou mais de 48.500 indivíduos), promovida pela Universidade de Harvard e pelo MIT e publicada na revista Psychological Science. (Fonte: BBC News)

Os 50 anos constituem uma idade-chave na carreira profissional. Por essa altura, o advogado possui uma longa experiência e conhecimentos sólidos, tendo tratado todo o tipo de assuntos e lidado com toda a espécie de clientes, colegas profissionais, juízes, etc.
Por volta dos 50 anos, o advogado aproveitou e também desperdiçou oportunidades. Nessa idade, é habitual que alguns sejam assaltados por dúvidas; outros colocam a si próprios novos desafios.

O advogado sénior, sócio de uma grande sociedade

Se o advogado for sócio de uma grande sociedade, é possível que a sua capacidade para continuar como sócio seja colocada em causa. Por exemplo, devido a uma diminuição da faturação. Trata-se de uma situação que costuma provocar frustração em muitos advogados que dedicaram uma boa parte da sua vida ao crescimento da sociedade, por vezes sem equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. Esses advogados desenvolveram a sua carreira sob a proteção de uma prestigiada marca corporativa e a maioria descuidou a sua marca pessoal (o verdadeiro “seguro de vida profissional”). Muitas vezes também não deram a devida atenção às suas competências comerciais, que, em muitos casos, desenvolveram sobretudo de forma intuitiva.

O advogado sénior, proprietário ou coproprietário de uma sociedade

Se o advogado for proprietário ou coproprietário de uma sociedade, é possível que pense não ter alcançado uma rentabilidade suficiente ao longo dos anos. Também poderá considerar que confiou demasiado num ou em poucos bons clientes que foi perdendo com o tempo, sem renovar suficientemente a sua carteira de clientes, devido à falta de uma ação comercial eficaz e de posicionamento de marca quando tudo corria bem. O momento mais inteligente para melhorar costuma ser quando tudo corre bem, para que tudo possa correr ainda melhor, embora a realidade seja frequentemente diferente.

O advogado sénior focado na reforma

Noutros casos, o advogado começa a focar-se na reforma e pretende viver os seus últimos anos de exercício profissional em plenitude. Por vezes, com o objetivo de acabar por vender a sua sociedade e obter assim ganhos que contribuam para lhe assegurar uma reforma tranquila.

A maturidade e o exercício da advocacia

Salvo exceções, a profissão de advogado exige um longo processo de maturidade, superior ao de outras profissões. Uma pessoa por volta dos 50 anos costuma já ter passado pelas diferentes crises que a vida nos apresenta e, se aprendeu com elas, possui um enorme capital de experiência e perícia que importa valorizar e potenciar.

Há quem defenda que uma pessoa jovem tem mais energia do que uma pessoa mais velha. Não é necessariamente verdade: uma pessoa sénior pode ser mais ativa do que outra mais jovem e os séniores costumam ser melhores corredores de fundo e mais prudentes.

A prudência, virtude essencial no advogado, também tende a melhorar com a idade, embora seja verdade que depende em grande medida da personalidade de cada pessoa.

Desafios em torno dos 50 anos

Quando estiveres próximo dos 50 anos, já tiveres chegado a essa idade ou tiveres alguns anos mais, sugiro-te que faças este exercício, ao qual normalmente prestamos muito pouca atenção devido às dinâmicas do dia a dia: gerir melhor a tua mente e, mais concretamente, os teus pensamentos e diálogos mentais.

Para a maioria de nós, a mente domina. A mente é “o chefe”. Na realidade, sabemos que o inconsciente é responsável por mais de 90% das decisões que tomamos. A mente deseja o que é fácil, e muitas vezes o que é fácil não é sinónimo do que é adequado. Leva-nos a permanecer na zona de conforto, no hábito ou na rotina. Isso geralmente não é o mais conveniente para quem deseja amadurecer e desenvolver-se.

É essencial que tenhas consciência dos teus diálogos mentais, pois criam a tua realidade. Já conheces a diferença entre um bom desportista e um grande desportista: passa pelos seus diálogos mentais. Quem gere bem a mente, os pensamentos, o seu sistema de crenças profissionais, etc., tem maior probabilidade de alcançar a excelência e atingir os seus objetivos. O mesmo acontece com os advogados.

Em pleno século XXI, um bom número de advogados continua a ser “prisioneiro” das suas crenças profissionais. Alguns ainda pensam que um bom advogado não precisa de vender ou, melhor dizendo, de valorizar os seus serviços, nem de ser competente no processo de atrair e conquistar os clientes adequados. Outros têm preconceitos relativamente ao marketing, a disciplina que liga o advogado ou a sociedade ao seu mercado. Alguns continuam igualmente em sociedades desumanizadas e, embora saibam que não deveriam permanecer ali, continuam a viver um conflito doloroso entre os seus valores e a realidade do seu quotidiano. Mudar para a sociedade adequada ou criar o seu próprio projeto seria provavelmente a solução.

Ser corajoso e responsável são duas grandes virtudes e, por volta dos 50 anos, costumamos ter a maturidade necessária para dar um salto qualitativo na nossa carreira, potenciando a nossa pessoa na sociedade atual ou criando um novo e entusiasmante projeto profissional.

Querer é poder.